CXL


2

A dualidade que gera a tensão que por sua vez mantém a vida em equilíbrio: vida/morte, dia/noite, nascer/morrer, macho/fêmea etc. O dois é a antítese que se opõe a tese (que é o um). Representa a introspecção que se dá em meio às transições importantes. O olhar para além do que se apresenta.
O número 2 representa a divisão dos sexos, queda, discernimento, polaridade.

Em Gn-2:21, lemos: "O Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão... e tomou uma de suas costelas...e da costela...formou uma mulher". Da unidade Deus formou outra unidade, a fim de somando-as, chegar ao número DOIS.


CXXXIX


1

O número UM é o princípio masculino, representa a letra hebraica Aleph, o início de tudo. É, segundo os hebreus, o símbolo da força divina penetrante que é experimentada no seu acto criador à medida que se descobre outras letras/números, já que ele é a energia essencial, vital, fonte e finalidade universal.
É o símbolo do Sol, o astro-rei que ilumina a todos, e portanto, é dele que partem todos os outros. Este número está presente na vida humana desde os primórdios, pois a demarcação do território era feita quando o primitivo apontava para si mesmo e cravava a vara no chão, como que dizendo: Eu Sou! E ele realmente era... o UM é o líder, o pai, o início transformador subtilmente manifestado!
Sendo assim, ele é o poder criador, mas ainda não é a criação em si, pois ele só tem sentido quando somado aos outros. Não estou a dizer com isso que o UM não existe, ao contrário, ele realmente existe, o fato é que sua força não pode ser diretamente conscientizada quando está sozinha. Transportando este significado para o mundo humano, o valor do UM só acontece nas nossas vidas, quando nos apercebemos de uma situação que oferece opções, ou seja, quando aparece o contraste, do contrário, poderemos deixar facilmente aquela oportunidade escapar ou, até mesmo, não aproveitá-la na sua plenitude, simplesmente porque não trouxemos à tona seu valor primordial, que é a FORÇA.

Enfim, o UM é o início de tudo que evolui, mas só se torna consciente quando o que evolui dá continuidade a seu ciclo e polariza. O UM e o DOIS são apenas pólos opostos de uma mesma coisa...


CXXXVIII (eu nasci na mente II)




E de quem é essa mente, na qual fui concebida?






CXXXVII (eu nasci na mente)



"... a matéria não existe como a conhecemos enquanto não for observada, apenas tem uma existência potencial em forma de onda, descrita pela chamada função de onda que o psi simboliza na equação de Schrödinger."

(A chave de Salomão - José Rodrigues dos Santos)






E tu, foste concebido/a por quem...?

Onde...?

E para quê...?




CXXXVI (a Sophia feminina ocultada)




"Por isso adoeceis e morreis [...]. Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque-as em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo se desequilibra. Essa é a razão por que vos digo: tende coragem, e se estiverdes desanimados, procurais força das diferentes manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça."



Envagelho gnóstico atribuido a Maria de Magdala.

CXXXV (o depois)




 
o nada que sobra
o pano corrido
pegadas sem rasto
monólogos em surdina
saudades desatadas
cinzas ao vento






CXXXIV (teorias)




 - Os seres humanos acham-se únicos e a sua existência depende desta unicidade. 1 é uma unidade de medida, mas está errado. Todo o sistema social está construído em conceitos similares à certeza de que 1 + 1 = 2. Mas 1 + 1 nunca é igual a 2. De facto não há números ou letras. Codificamos a nossa existência para fazê-la do tamanho humano, para torná-la compreensível. Criamos escalas para esquecer das escalas sem limites.

- Mas se os seres humanos não são a unidade de medida e o mundo não está sujeito às leis matemáticas, o que governa tudo isto?

- Imagine carros numa estrada e acelere a imagem infinitamente… os carros desaparecem. Então o que prova a sua existência? O tempo é a razão da sua própria existência. O tempo é a única verdade. A medida final. Ele atribui a sua existência à matéria. Sem tempo nós não existíamos.


in Lucy, um filme de Luc Besson