LX - “Para nascer de novo, é preciso morrer primeiro”



"Satã, assim relegado para uma condição vagabunda, errante, instável, não tem paradeiro certo, pois embora possua, em consequência da sua natureza angélica, uma espécie de império sobre os desertos líquidos e os ares, faz parte do seu castigo que ele não disponha de qualquer lugar ou espaço fixo onde descanse a planta dos pés."
 
[Daniel Defoe - The History of the Devil]



E assim começa um dos romances mais polémico das últimas duas décadas, onde a citação da obra de Daniel Defoe, serve de chave para decifrarmos a inspiração do autor (Salman Rushdie), de origem indiana, para a elaboração de uma obra que pretende ser a radiografia de duas civilizações em choque, expondo de uma forma nua e crua as virtudes e defeitos entre duas culturas que têm tanto de fascinante como de terrível. O resultado é um romance que valeu ao Autor a condenação à Fatwah, (com uma oferta de 6 milhões de dólares como recompensa pelo seu assassinato), devido ao livro ser considerado ofensivo ao profeta Maomé e uma blasfémia contra o Islão. 


Eu li uma história de conflito (que até poderei adjectivar de sensato), entre o Bem e o Mal, visto por uma óptica que acredito ser alheia ao mais comum dos mortais. De realçar que este sensato (como usei referir) conflito é muitas vezes entre o Bem (ou o que entendemos por Bem) e o ... ...próprio Bem. Curioso, não é?
 


LIX



"A distinção entre o passado, o presente e o futuro é só uma ilusão, ainda que persistente..."

[Albert Einstein]



Será o tempo uma linha recta (contínua ou não), que vai do Passado, passa pelo Presente e segue para o Futuro?

Será o tempo um circulo fechado que, em determinado ponto (o Presente), o Passado se confunde com o Futuro?

Será o Presente um ínan de polaridades opostas, Passado e Futuro?

Afinal, o que define o tempo? 
O rodopio constante dos ponteiros de um qualquer relógio?





LVIII



 
"... Any two opposite opinions are absolutely identical.
All that begins has a cause (Vallet).
It was very soon clear to me that antinomies must have some exploration. I found the contrast of two opinions a false: contrast. To contrast two things, it is needful that they should be of the same nature. I can contrast an apple and a pear, but not an apple and a cat. And the fact of these theories being antithetic I found to be the fact that they are of a different nature, one being a priori, the other being deduced from experience."




Fernando Pessoa [escrito em 1906]




LVII




"Quando as pessoas adoecem de si mesmas, a empatia e o amor são mais relevantes do que qualquer técnica de cura"

[O Físico - Noah Gordan]





E depois de o ler fica a (minha) certeza de que, a natureza humana não evoluiu na mesma proporção da tecnologia...



LVI

 



E quando aqui falei de coincidências, faltou referir que:
Coincidência não significa acaso, mas sim incidência no mesmo ponto.

LV



"Quanto mais certezas temos nas nossas vidas, mais intrigados nos sentimos com mistérios."

John L. Teynolds - Na Sombra (Breve história das sociedades secretas)


Um livro que confirmou e afirmou o meu (já) entendimento sobre seitas e sociedades secretas existentes no passado ou  presente. E não é à toa, que de 329 páginas, escolhi a frase transcrita em cima para o definir.

Esta leitura, lembrou-me de uma outra de Umberto Eco, que na página tantas de determinado livro nos diz:

"Com os números pode-se fazer o que se quiser. Se eu tiver o numero sagrado 9 e quiser obter 1314, data em que foi queimado Jacques de Molay - para os mais distraídos, ficou conhecido como o último grão mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários - (...) o que faço? Multiplico-o por 146, data fatídica da destruição de Cartago. (...)
Portanto não acredita nas numerologias?
Eu? Acredito firmemente, acredito que o universo é uma concertação admirável de correspondências numéricas e que a leitura do número, e a sua interpretação simbólica, são uma via de conhecimento privilegiada."

Portanto não nos podemos esquecer da sabedoria popular que, há muito tempo, nos diz:
Onde há fumo, há fogo!


LIV (Silêncio)





Como pode a minha mente compreender e aceitar o silêncio?