And we will never be afraid again...
#42
Lá pelos meus 4/5 anos, fui viver com a minha avó paterna. Foi uma opção minha, que apesar de ser ainda uma criança, foi aceite pelos meus pais devido ao inesperado falecimento do meu avô. Com ela fiquei até ao meu 16º aniversário. Foi portanto, com a minha avó que cresci e aprendi muitos dos valores e ensinamentos, que ainda hoje prezo orgulhosamente.
Lembro-me que a minha avó sabia muitas cantilenas e desde muito cedo tentou incuti-las a mim. Algumas deixei esquecer com o tempo, de outras lembro apenas partes, mas duas ou três houveram que ficaram gravadas nos veios da minha memória.
Reza assim uma delas:
Una, duna, tena, catena, cigarra, migalha, no bico, dos pés, conta bem, que são dez.
Esta é portanto uma cantilena que tem tantos anos como os que tem a minha avó, ainda viva. Assim eu pensava até ontem.
Ao ler o Espião de D. João II, que para os mais curiosos, (uma vez que esta coisa de espionagem aguça sempre a atenção até dos mais cépticos), se chamava D. Pêro da Covilhã - sendo que Covilhã não é sobrenome mas sim a localidade onde nasceu - descobri na página tantas, que esta cantilena já era entoada pelas bocas dos que viveram por volta do ano 1450, possível data de nascimento de D. Pêro.
É tão surpreendente como indubitável o facto de esta ladainha, cançoneta, o que lhe quiserem chamar, ter no mínimo 562 anos e ter sobrevivido a pelo menos 8 gerações...
Descobrir isto proporcionou-me um sorriso daqueles...
# 40 (Livros usados)
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O meu agradecimento ao João de Vale São Cosme, Susana de Charneca da Caparica e Nuno de Coimbra; porque...
...segundo estudos recentes, parado, fortalece a coluna; de cabeça baixa,
estimula a circulação do sangue; de barriga para cima dá mais prazer; sozinho, é estimulante, mas em grupo, pode até ser divertido; no banho pode ser arriscado; no automóvel, é muito perigoso; com frequência, desenvolve a imaginação; entre duas pessoas, enriquece o conhecimento; de joelhos, o resultado pode ser doloroso...
Enfim, sobre a mesa ou no escritório, antes de comer ou depois da sobremesa , sobre a cama ou na rede, nus ou vestidos, sobre o sofá ou no tapete, com música ou em silêncio, entre lençóis ou no "closet": é sempre um acto de amor e de enriquecimento. Não importa a idade, nem a crença, nem o sexo, nem a posição sócio-económica...
...Ler é sempre um prazer!!!
#39
" Somos nós que, perante os opostos, acreditamos conforme o nosso capricho, conforme a nossa paixão, que um deles é o bem e o outro é o mal."
[Baudolino - Umberto Eco]
E por aqui ouve-se aquela que considero ser a melhor versão do tema Drive...
#38 (Alexander Search)
Tracei um círculo por sobre a terra.
Era uma estranha, mística forma
Onde eu pensei que, muitos, houvera
Símbolos mudos que a mudança enforma
E da Lei, fórmulas complicadas
Que, do ventre da Mudança, são estradas.
Era uma estranha, mística forma
Onde eu pensei que, muitos, houvera
Símbolos mudos que a mudança enforma
E da Lei, fórmulas complicadas
Que, do ventre da Mudança, são estradas.
Meu simples pensar em vão quis parado
O correr desta loucura à revelia,
Mas meu pensamento está condenado
Ao símbolo e à analogia:
Julguei que um círculo encerrasse inteiro
Em calma, a violência do mistério.
O correr desta loucura à revelia,
Mas meu pensamento está condenado
Ao símbolo e à analogia:
Julguei que um círculo encerrasse inteiro
Em calma, a violência do mistério.
E assim, em cabalístico jeito,
Ali tracei um círculo, curioso;
O círculo traçado era imperfeito
Embora em sua forma, cuidadoso.
Profundamente, da magia ao falhar,
Lição tirei que me fez suspirar.
Ali tracei um círculo, curioso;
O círculo traçado era imperfeito
Embora em sua forma, cuidadoso.
Profundamente, da magia ao falhar,
Lição tirei que me fez suspirar.
[Alexander Search]
Para quem não sabe, Alexander Search é um heterónimo de Fernando Pessoa. O original foi escrito na língua inglesa, aos 16 anos de idade.
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