#31 (Sententia)


A liberdade, ao contrário do que o mundo hoje nos transmite, não é dada por ninguém. O Homem até se pode considerar socialmente livre, mas continua escravo de si próprio; e assim é, porque a liberdade não vem de fora. É algo que depende exclusivamente de cada um, porque o homem verdadeiramente livre não depende do exterior para agir.


"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e as suas leis!"

#30


E eis que na página 186 de determinado livro, encontro a minha resposta àquele sentimento de insatisfação que sempre me foi característico.
É ser-se aquele Ser em constante mudança, a querer experimentar-me nisto e naquilo, a querer e fazer mil e uma coisas e no fim achar sempre que foi pouco, que foi simples de mais, que não me destaquei. É aquele desempenho orgulhoso mas que depois do seu terminus nada fica...

Sim, descobri o porquê desse sentimento que me assola desde os meus tempos de criança.

A minha visão tem sido maioritariamente horizontal. Não compreendia que a  linha da minha consciência, do meu pensamento e da minha intuição sempre foi e é vertical

No entanto, tenho que admitir que foi esse descontentamento que me levou a procurar aquilo que, hoje mesmo, penso ter encontrado.
 


#29






"Tudo o que somos e temos é o resultado do que os nossos antepassados nos deixaram, mais o que soubemos preservar e acrescentar."



[Rainer Daehnhardt in PORTUGAL a missão que falta cumprir]



#28



You're walking away...
But we'll always be watching you!




O paralelismo do passado numa perpendicular com o presente…


E o futuro que linhas traçará?




#27



Mirror, Mirror on the wall...
















Porque me imitas?

Respondes com perguntas às minhas perguntas, e quando me refugio no silêncio és eco...

#26




"A maioria pensa com a sensibilidade, que sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar"


[Fernando Pessoa, in O Livro do Desassossego]




 

#25 (Hipácia)


(Alexandria, 355 a 370 (?) – 415 d.C.)

Estamos no século IV (d.C.) A Alexandria do tempo de Hipácia atingira o ponto mais alto da sua pujança intelectual. Era o sol em torno do qual gravitavam outras cidades. O Núcleo filosófico da cidade era o Museion, fundado por Demétrio de Falero, seguidor de Aristóteles. Era neste edifício que se encontrava a famosa biblioteca que continha aproximadamente 700.000 rolos/pergaminhos.
 Hipácia, filha de Teon - filósofo, surgiu neste ambiente como uma uma matemática e filósofa, contudo associada ao termo paganismo ainda vivido e sentido na sua cidade ao lado do cristianismo. Amante do saber e da verdade recusou várias paixões carnais sendo o seu único amor a sua dedicação à procura do conhecimento. Por volta do ano 400, Hipácia, devido ao seu gosto em ensinar, tornou-se chefe da escola platónica de Alexandria e as suas palestras não só eram apreciadas como atraíam multidões de admiradores. 
Numa altura de crescente cristianismo e adoração da trindade cristã, Hipácia (com os seus conhecimentos) começou a desagradar ao núcleo cada vez mais numeroso que constituía a igreja cristã na altura. Era a mudança da era romana para a cristã. Foi proibida a entrada em santuários pagãos, muitos foram inclusive destruídos e outros transformados em igrejas. Por esta altura, grande parte da biblioteca foi destruída e os seus escritos queimados por serem considerados hereges.
As coisas pioraram quando Cirilo se tornou bispo, em 412. Defendia que os fins santos justificavam os piores excessos dos meios violentos. e criou inclusive uma espécie de exercito, homens vestidos com camisas negras que defendiam à força a sua interpretação dos mandamentos cristãos.
Nesta conjuntura religiosa, Hipácia, mulher de paz, não se opõe à tomada dos templos pela igreja, de qual até era amiga e tinha sido professora de um ou dois bispos, mas recusa o baptismo e continua a "pregar" a sua sabedoria e a estudar cada vez mais. No entanto e devido à sua posição perante os recentes acontecimentos e aos seus conhecimentos místicos do neoplatismo e consequente sistema hermético de pensamento, bem como à sua influência sobre o perfeito da cidade, Orestes, ainda que convertido ao cristianismo, começou a ser vista com desconfiança e o seu nome a ser associado à bruxaria.
O fim da sua vida pode-se ler num relato feio por Sócrates, o Escolástico:

"Alguns deles, portanto, levados por um zelo feroz e sectário, tendo como chefe um leitor chamado Pedro, preparam-lhe uma cilada no caminho de regresso a casa, e, arrastando-a para fora da carruagem, levaram-na para a igreja chamada Caesareum, onde a despiram completamente, e depois a assassinaram com telhas [conchas de ostra]. Depois de lhe terem retalhado o corpo, levaram os seus membros lacerados para um local chamado Cinaron, e queimaram-nos lá."

O Homicídio acabou por ser considerado um dos piores actos da história do cristianismo primitivo, mas ainda assim este acontecimento não impediu que Cirilo fosse santificado pela Igreja.




"Reserva o teu direito a pensar, porque mesmo pensar erradamente é melhor do que não pensar nada"
Hipácia