#25 (Hipácia)


(Alexandria, 355 a 370 (?) – 415 d.C.)

Estamos no século IV (d.C.) A Alexandria do tempo de Hipácia atingira o ponto mais alto da sua pujança intelectual. Era o sol em torno do qual gravitavam outras cidades. O Núcleo filosófico da cidade era o Museion, fundado por Demétrio de Falero, seguidor de Aristóteles. Era neste edifício que se encontrava a famosa biblioteca que continha aproximadamente 700.000 rolos/pergaminhos.
 Hipácia, filha de Teon - filósofo, surgiu neste ambiente como uma uma matemática e filósofa, contudo associada ao termo paganismo ainda vivido e sentido na sua cidade ao lado do cristianismo. Amante do saber e da verdade recusou várias paixões carnais sendo o seu único amor a sua dedicação à procura do conhecimento. Por volta do ano 400, Hipácia, devido ao seu gosto em ensinar, tornou-se chefe da escola platónica de Alexandria e as suas palestras não só eram apreciadas como atraíam multidões de admiradores. 
Numa altura de crescente cristianismo e adoração da trindade cristã, Hipácia (com os seus conhecimentos) começou a desagradar ao núcleo cada vez mais numeroso que constituía a igreja cristã na altura. Era a mudança da era romana para a cristã. Foi proibida a entrada em santuários pagãos, muitos foram inclusive destruídos e outros transformados em igrejas. Por esta altura, grande parte da biblioteca foi destruída e os seus escritos queimados por serem considerados hereges.
As coisas pioraram quando Cirilo se tornou bispo, em 412. Defendia que os fins santos justificavam os piores excessos dos meios violentos. e criou inclusive uma espécie de exercito, homens vestidos com camisas negras que defendiam à força a sua interpretação dos mandamentos cristãos.
Nesta conjuntura religiosa, Hipácia, mulher de paz, não se opõe à tomada dos templos pela igreja, de qual até era amiga e tinha sido professora de um ou dois bispos, mas recusa o baptismo e continua a "pregar" a sua sabedoria e a estudar cada vez mais. No entanto e devido à sua posição perante os recentes acontecimentos e aos seus conhecimentos místicos do neoplatismo e consequente sistema hermético de pensamento, bem como à sua influência sobre o perfeito da cidade, Orestes, ainda que convertido ao cristianismo, começou a ser vista com desconfiança e o seu nome a ser associado à bruxaria.
O fim da sua vida pode-se ler num relato feio por Sócrates, o Escolástico:

"Alguns deles, portanto, levados por um zelo feroz e sectário, tendo como chefe um leitor chamado Pedro, preparam-lhe uma cilada no caminho de regresso a casa, e, arrastando-a para fora da carruagem, levaram-na para a igreja chamada Caesareum, onde a despiram completamente, e depois a assassinaram com telhas [conchas de ostra]. Depois de lhe terem retalhado o corpo, levaram os seus membros lacerados para um local chamado Cinaron, e queimaram-nos lá."

O Homicídio acabou por ser considerado um dos piores actos da história do cristianismo primitivo, mas ainda assim este acontecimento não impediu que Cirilo fosse santificado pela Igreja.




"Reserva o teu direito a pensar, porque mesmo pensar erradamente é melhor do que não pensar nada"
Hipácia

#24




I was looking for a breath of life,
A little touch of heavenly light,
But all the choirs in my head say no
To get a dream of life again,
A little vision of the start of the end,
But all the choirs in my head say no...

...to my Breath Of Life


#23


"-  Mas pelo que estou a entender vós praticais o amor e o respeito recíproco, não matais animais e muito menos os vossos semelhantes. Em virtude de qual mandamento o fazeis?
- Fazemo-lo precisamente para compensar a falta de todos os mandamentos. Só praticando e ensinando o bem podemos consolar os nossos semelhantes na falta de um Pai.
- Não se pode passar sem um Pai - murmurava o Poeta a Baudolino -, olha como se reduziu a nossa bela armada da morte de Frederico.
Eles andam aqui a dar ao pardal mas não sabem nada do que é a vida...
Borão pelo contrário ficou impressionado com aquela sabedoria, e começou a fazer uma série de perguntas ao ancião.
- Quem são mais, os vivos ou os mortos?
- Os mortos são mais, mas já não se podem contar. Portanto os que se vêem são mais que os outros que já não se podem ver.
- O que é mais forte, a morte ou a vida?
- A vida, porque o sol quando nasce tem raios luminosos e resplandecentes e quando se põe está mais fraco.
- O que é maior, a terra ou o mar?
- A terra, porque até o mar assenta no fundo da terra.
- O que surgiu primeiro, a noite ou o dia?
- A noite. Tudo o que nasce é formado nas trevas do ventre e só depois é dado à luz.
- Qual é a parte melhor, a direita ou a esquerda?
- A direita. de facto o sol também nasce da direita e percorre a sua órbita no céu para a esquerda, e a mulher aleita primeiro da mama direita.
- Qual é o mais feroz dos animais? - perguntou o Poeta
- O homem.
- Porquê?
- Pergunta a ti próprio. Tu também és uma fera que tem consigo outras feras e por ânsia de poder privar da vida todas as outras feras.
Disse então o Poeta:
- Mas se fossem todos como vós [Gimnosofistas] o mar então não seria navegado, a terra não seria cultivada, nem nasceriam os grandes reinos que trazem ordem e grandeza à mesquinha desordem das coisas terrenas.
Respondeu o ancião:
- Cada uma dessas coisas é certamente uma fortuna, mas é construída sobre o infortúnio dos outros, e isso não queremos nós. "


Baudolino - Umberto Eco

#22 (Göbekli Tepe)


Numa aparente inóspita colina da Turquia encontramos uma das descobertas mais marcantes da nossa historia. Falamos do mais antigo (assim dizem os entendidos nesta matéria), complexo arqueológico até hoje encontrado. Com 12.000 anos, este complexo destaca-se pelas suas paredes de pedra formadas por pilares monolíticos de calcário em forma de “T”.


Cada um dos monolíticos pesa aproximadamente 10 toneladas e tem 3 metros de altura. Na lateral das colunas podemos observar esculpidos diversos animais e até seres humanos mas curiosamente sem a face trabalhada…


Uma construção inexplicável e totalmente fora do tempo se pensarmos no que era a humanidade à 12.000 anos atrás…
E por isso, há quem lhe chame o Berço dos Deuses.



#21 (Ankh symbol)





Gravado na minha pele!


#20



"- De Caus sabia muito bem que se se pegar num recipiente, o enchermos de água e fecharmos por cima, mesmo que depois de abra um furo no fundo, a água não sai. Mas se se abrir também um furo por cima, a água cai para o chão.
 - Não é óbvio? - perguntei.
   No segundo caso entra ar por cima e empurra a água para baixo.
- Típica explicação de cientista, em que se confunde a causa com o efeito, ou vice-versa. Não deve perguntar-se porque razão a água sai no segundo caso. Deve interrogar-se do porquê se recusa a sair do primeiro.
- E recusa-se porquê? - perguntou ansioso Garamond
- Porque se saísse permaneceria o vácuo no recipiente, e a natureza tem horror ao vácuo."

[O Pêndulo de Foucault - Umberto Eco]




 Salomón de Caus (1576 – 1626), arquitecto, engenheiro e físico francês construtor do Hortus Palatinus em Heidelberg, Alemanha, obra-mestra da engenharia hidráulica. Neste jardim havia uma gruta com um maravilhoso conjunto de pedras que faziam com que as águas descessem por elas, além das fontes octogonais, figuras estreladas, grotescas, estátuas mitológicas, jardim circular de flores, grutas, contas e pontas de coral, além do labirinto, entre outros elementos de simbologia alquímica. Foram elementos muito utilizados por Caus neste jardim, cujas fontes e grutas transportavam o visitante a outra realidade.

#19 (Ennoia)

Sophia não é somente uma alma feminina, mas a alma de todas as coisas onde nós procuramos (ou deveríamos procurar), a nossa totalidade


O Mito de Sophia

“No alto do inefável e transcendental Reino da Luz, existia um par primordial chamado Profundidade e Silêncio. Juntos, criaram um reino perfeito de equilíbrio e poder criativo, consistindo em trinta formas arquetípicas de consciência chamadas aeons. A mais jovem e aventureira delas, chamada Sophia (Sabedoria), apaixonou-se pelo progenitor real, o grande Rei invisível do Todo, chamado Profundidade, e desejou sondar sua natureza perenemente inescrutável. Confusa por seu amor, lançou um olhar em várias direções de seu posto eterno na Plenitude, até que, à distância, vislumbrou uma luz magnífica, tremeluzindo com sublime graça. No espanto originado pelo seu amor, não podia mais distinguir entre o em cima e o embaixo e, assim, supôs que a luz sedutora, que na verdade estava abaixo, não era senão a real efulgência do grande Rei, seu Pai, que residia no mais alto ponto dos céus. Desceu então ao vazio abissal, de onde, num mar de espelhos sem limite e inescrutável, o reflexo da luz celestial lhe acenava. Cristo, seu consorte celestial, foi incapaz de refreá-la e, assim, ela mergulhou na profundeza das trevas, descobrindo depois que a luz refletida a iludira. Entristecida, viu-se rodeada pelo vazio, destituída da qualidade e do poder da Gnosis, à qual estava habituada na Plenitude. Desejosa de ter uma figura conhecida perto dela, criou numa forma virginal um ser, cujo nome era Jesus, concebido misteriosamente pelo seu desejo de Gnosis celestial. Contudo, uma sombra de escuridão agarrou-se a Jesus, pelas influências maléficas do vácuo sombrio onde nascera. Logo, porém, ele libertou-se dos liames perturbadores e sombrios e subiu à Plenitude, deixando Sophia em desalento.
Fora do Universo celeste espiritual, sentindo-se só e desamparada, ela vivenciou toda uma sorte de tormentos psíquicos inimagináveis. Paixão, pesar, medo, desespero e ignorância exsudaram do ser de Sophia como poderosas nuvens e condensaram-se nos quatro elementos: água, terra, fogo e ar, assim como em seres que, mais tarde, ficaram conhecidos com o nome de Demiurgo e arcontes (regentes) – todos eles espíritos ferozes e turbulentos.O mais poderoso deles, um ser com face de leão, cheio de orgulho e desejo de poder, comandou sua hoste de espíritos criadores do mundo e, a partir da matéria-prima de terra, água, fogo e ar, eles construíram um mundo de aparência externa impressionante, embora repleto de grandes falhas, um mundo à imagem de seus criadores. Pesar, medo, ignorância e paixões dolorosas e destrutivas, emaranharam-se nas malhas deste mundo imperfeito, visto que a matéria-prima usada por esses espíritos criadores originou-se nos sentimentos experimentados por Sophia. Olhando para baixo, para o mundo imperfeito e conturbado, orgulhosamente modelado pela sua prole ignorante, encheu-se Sophia de compaixão pela criação e resolveu assisti-la como pudesse. Ela tornou-se, então, o Espírito do mundo, zelosamente observando-o, como faz uma mãe quando vela por um filho fraco e malformado.
Enquanto isso, nas alturas, Jesus observava o triste destino de sua mãe Sophia. Uniu-se então ao aeon-gêmeo de Sophia, Cristo, e assim tornou-se Jesus Cristo, o Messias, o mensageiro de Deus. Ao redor Dele reuniram-se os sublimes e compassivos poderes da Plenitude, e cada um ofertou-lhe presentes e glórias dos seus respectivos tesouros. Assim, em Jesus Cristo, a Plenitude e seus poderes reuniram-se, preparando-o para o grande acto de redenção, a libertação de Sophia da sua lamentável condição no Vácuo. Através dos séculos e milênios da história da terra, Sophia orou e lamentou-se sobre o seu destino e sobre o destino do mundo imperfeito, e raios de luz entrelaçaram-se nas redes dos regentes, os quais, como monstruosas aranhas continuavam a tecer teias de matéria, emoção e pensamento, como armadilhas para os seres humanos, – em essência, não criação deles, mas raios da própria natureza superior de Sophia, infundidos em corpos de argila. Por fim, os poderes da Plenitude foram reunidos e, tendo entrado em Jesus Cristo, desceram à terra para libertar Sophia e trazer redenção a seus filhos espirituais, os membros da raça humana. Depois de enfrentar as dificuldades impostas a Ele pelos regentes e seus lacaios humanos iludidos, Jesus Cristo ascendeu triunfante da terra, levando Sophia. Subiram jubilosos às mansões do Paraíso, atravessando os portais dos guardiões espirituais para regiões mais altas e sutis da existência. Em cada portal, Sophia entoava canções de louvor e gratidão à Luz que a salvara do caos das regiões inferiores. Quando Sophia, o Espírito do Mundo, chegou às margens que separam os mundos inferiores ao do reino da Plenitude, olhou, mais uma vez, para baixo, para o mundo imperfeito e atormentado, suspenso no vácuo e no caos e encheu-se de compaixão.
Não poderia deixar para trás aquela estranha criação, entregue aos seus recursos mais que inadequados, nem poderia abandonar seus filhos verdadeiros, mulheres e homens que estavam mais intimamente ligados a ela do que quaisquer outros seres fora da Plenitude.Assim, usou os seus poderes mágicos e dividiu sua natureza em duas metades: uma, que subiu aos aeons na Plenitude para lá residir e a outra, que permaneceu próxima à criação, para continuar a assisti-la em compassiva sabedoria. Desse modo, criado pela compaixão, o segundo Self de Sophia tornou-se conhecido como Achamoth, a errante ou a inferior, aquela que ainda está em contato com a humanidade e as regiões deste mundo
Foi deste modo que o Universo constelou-se em três regiões: A primeira é a região sublunar ou mundo material, governado por um regente que os antigos chamavam de Pan, e que outros chamam indevidamente de demônio [daimon]. É aquele que reina sobre a terra, as plantas e as criaturas vivas. Qual paciente pastor de ovelhas, vela para que todas as manifestações da vida de Sophia possam, um dia, alcançar os mundos superiores, não importa quão longe vagueiem.Desconhecendo a Realidade e desígnios dos poderosos aeons da Luz, o regente deste mundo gira a roda de nascimento, morte e renascimento, com a esperança de que, se ele e seu rebanho forem capazes de se materem dentro dos movimentos [cíclicos] da vida biológica, não serão condenados na hora da libertação. A segunda, o espaço imaterial [região astral], é o mundo da alma e da mente, regido pelo Demiurgo, o arconte principal, de numerosos nomes, como Yaldabaoth (Deus infantil) e Saclas (o cego). É no mundo dessa divindade arrogante e sedenta de poder, que se originam os muitos conceitos e preceitos [teológicos e ideológicos], que escravizam a mente e a vontade humana.O deus cego tem grande interesse no que chama de lei: regras, mandamentos e regulamentos de todo tipo são por ele criados, para restringir a liberdade do ser, direito de nascença do espírito. Filosofias e ideologias são também insufladas pelo Demiurgo na alma e mente humana, junto com a ganância, o poder, o vício e outras obsessões, visando obliterar e obscurecer a pureza espiritual dos homens e mulheres A terceira região, acima dos planetas e logo abaixo dos portais da própria Plenitude onipotente, é o reino de Sophia-Achamoth, onde a Mãe sábia, auxiliar celestial da humanidade, está entronizada. Com Ela, vivem incontáveis hostes de anjos de luz e almas santas e rectas, que antes ocuparam corpos humanos.
É o reino do Espírito onde os anjos gêmeos das personalidades humanas também residem e a câmara nupcial está construída. Ali as almas humanas podem encontrar-se e unir-se às contrapartes espirituais, os anjos gêmeos. Quando as almas dos homens unem-se à Deusa em seus múltiplos aspectos, é com Sophia-Achamoth, a sábia guardiã, que eles o fazem. As três regiões cósmicas [anteriormente descritas], têm as suas partes correspondentes dentro da natureza dos filhos dos homens. Dentro de cada ser humano, há a parte material (hyle) derivada do domínio de Pan, que carrega os instintos e necessidades da vida material, com sua vocação para a sobrevivência e a continuidade física através da descendência. Há também aquela outra parte que personifica a mente e a emoção, referida freqüentemente como alma (psyche). Essa parte da natureza humana, é derivada dos domínios do Demiurgo e, portanto, contém mais de uma característica perigosa. Embora seja a sede da consciência ética e da razão calculada, é suscetível às influências dos regentes, com seus arbitrários e obsessivos mandamentos, ideologias fanáticas, orgulho e arrogância. A terceira parte é a região do espírito humano (pneuma) pertence à Plenitude, como dom de Sophia. Na maioria dos seres humanos, porém, essa centelha espiritual arde lentamente, adormecida e inconsciente, aguardando o sopro dos Mensageiros da Plenitude, para ser avivada para uma acção efectiva. Esse espírito é o de Sophia e através – e além dela – é de essência idêntica à dos próprios Rei e Rainha, Profundidade e Silêncio. Assim, na vida personificada, vê-se alguns humanos que podem ser qualificados de hiléticos, regulados por instintos, pelas necessidades e sensações, vivendo assim, principalmente, no domínio de Pan. E outros são chamados de psíquicos, que geralmente veneram o Demiurgo como Deus, sem consciência do reino espiritual acima dele. Orgulham-se e alegram-se com a sua lei e doutrina, imaginando-se superiores aos outros homens, em virtude de suas leis. Dessa forma, a história espiritual da humanidade é basicamente, uma progressão da instintividade primitiva e do panteísmo de adoração da natureza (onde Pan é teos, isto é, Deus) à religião dogmática e ética, e desta, à verdadeira liberdade espiritual da Gnosis…
Para alcançar o reino da Luz, tornar-se um ser pneumático, o homem deve, antes, renunciar ao seu servilismo aos aspectos físicos, como também, e freqüentemente com grande dificuldade, renunciar à escravidão do Demiurgo e de seus sectários, sob a forma de servidão ideológica. As idéias escravizam tanto quanto as paixões e, ambas, são obstáculos para o reino do Espírito. Surge então a grande renúncia (apolytrosis), quando os humanos quebram as algemas fixadas nos seus corpos e mentes pelos regentes (arcontes). De acordo com o acima exposto, há apenas um grande passo a ser dado: a união transformadora do humano inferior, na câmara nupcial, com a presença protetora do anjo gêmeo. Dos cumes do mundo material e experiências de êxtase da mente, homens e mulheres erguem os olhos e fitam os montes perpétuos do reino da luz espiritual de Sophia-Achamoth. O anjo gêmeo estende sua asa cintilante e transporta para as alturas a alma humana, até a câmara nupcial, onde a união espiritual é selada nas bodas celestiais [alquímicas]. Um por um, Sophia atrai seus filhos espirituais para si, juntando-os às hostes dos eleitos. Esse é o dom de Sophia, extraído do tesouro sem fim de luz e posto à disposição dos humanos pela sua compaixão e sabedoria. Ela permaneceu fiel à verdadeira Luz, e insta seus filhos a fazer o mesmo. “

[Jung e Os Evangelhos Perdidos - Stephan A. Hoeller]

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Mircea Eliade explica no seu livro O Sagrado e o Profano – A Essência das Religiões: "O mito conta uma história sagrada, quer dizer, um acontecimento primordial que teve lugar no começo do Tempo, ab initio. Mas contar uma história sagrada equivale a revelar um mistério, pois as personagens do mito não são seres humanos: são deuses ou Heróis civilizadores. Por esta razão suas gesta constituem mistérios: o homem não poderia conhecê-los se não lhe fossem revelados."

O mito é, portanto, uma revelação