#7

Os instantes superiores da alma
Acontecem-lhe na solidão
Quando o amigo
E a ocasião terrena
Se retiram para muito longe
Ou quando, ela própria subiu
A um plano tão alto
Para reconhecer menos
Do que a sua Omnipotência
Essa abolição mortal
É rara, mas tão bela
Como aparição sujeita
A um ar absoluto
Revelação da eternidade
Aos seus favoritos, bem poucos
A gigantesca substância
Da Imortalidade


Emily Dickinson in "Poemas e Cartas 
(Tradução de Nuno Judice)

#6

[Da Vida...]


... há quem ache que já sabe tudo, que já aprendeu tudo o que havia a aprender, que nada há de novo a acrescentar à Vida.
Mas a Vida encerra em si mesma uma lição.
E cada um só aprende a que quer ou a que lhe dá mais jeito.
Sim, é assim...



"Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existem"
(Oscar Wilde)

#5

Mas neste íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dento
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarce
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se
descobrir-se e desflorar-se
é nosso e de mais ninguém
[António Gedeão]


Deste grande Senhor que também escreveu: " Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida, tão concreta e definida como outra coisa qualquer..."

#4

(Samsara)


Eterna repetição de mim mesma...
É a sucessiva história do Adão e Eva. Começa, acaba... Começa, acaba...



Nota: O filme também é interessante
         :)

#3




"The significant problems we have cannot be solved at the same level of thinking with which we created them."

[Albert Einstein]




Quantos degraus terei eu ainda de subir?



#2

Sempre pensei.
Sempre pensei aquele pensamento básico e primitivo, aquele pensamento obrigatório para o dia a dia. Noutros momentos, de mais introspecção, o meu pensamento elevava-se e era aí que ganhava força e reinventava histórias, ou até quem sabe, inventava-as mesmo.
Portanto o meu pensamento teve, até recentemente, duas fases, duas intensidades. duas vertentes.
À uns dias atrás, desvendei outra forma de pensar. Esta abstrai-me completamente de tudo o que me rodeia, faz-me como que adormecer e leva-me para um espaço onde só eu existo. Existo eu e no entanto não me vejo, ali só permanece o meu pensamento e certo é que ainda lhe descobri a forma.
Descobri também que este novo pensamento é perigoso, é-me fisicamente perigoso. Mas ainda assim eu entendo-o. Ele é único, é verdadeiro, é grande e não depende de nada, nem mesmo de mim, apesar de ser meu. Ou será que eu é que sou dele?
No inicio não percebia muito bem o momento da sua chegada, sei que muitas das vezes começava naquele pensamento primário e ele saltava-lhe  para a frente sem conseguir dar conta e apoderava-se de mim tirando-me o controlo. Ora este "desgraçado" quase fez com que aqui a minha pessoa causasse um acidente de viação. Nesse momento tremi e foi nesse momento que percebi o quão perigoso ele poderia ser. Mas aprendi a controlá-lo... ...e acho que já o controlo. Com quê? Como?
Surpresa das surpresas...
Com música!
Eu canto, mesmo sem a minha boca se abrir e ele sorri e esconde-se bem lá no fundo, no meu fundo.
Claro que, primeiro tive que aprender a senti-lo, mas não foi difícil. Sempre que me sinto atropelada de ideias, de sensações, de questões e no entanto ordenadas é sinal que ele está a brotar. E eu deixo-o surgir, tenho que deixar...
Mas pensamento, não pode ser na altura que tu queres. Tu és livre e no entanto és meu. Eu preciso de ti como tu precisas de mim.
E és grande Pensamento meu...



"O Pensamento é como a alma, Eterno. A Acção é como o corpo, mortal."
[Gustave Flauver]

I

Não acredito em tudo o que leio, ouço ou vejo. O meu bom senso e a minha voz interior moldam o sentido das palavras criando a minha própria verdade ou meia verdade. Sempre fui assim e não sei se quero mudar.

No entanto acredito...

Sendo assim, essa verdade de que falo será mesmo minha?