CXXXVI (a Sophia feminina ocultada)




"Por isso adoeceis e morreis [...]. Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque-as em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo se desequilibra. Essa é a razão por que vos digo: tende coragem, e se estiverdes desanimados, procurais força das diferentes manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça."



Envagelho gnóstico atribuido a Maria de Magdala.

CXXXV (o depois)




 
o nada que sobra
o pano corrido
pegadas sem rasto
monólogos em surdina
saudades desatadas
cinzas ao vento






CXXXIV (teorias)




 - Os seres humanos acham-se únicos e a sua existência depende desta unicidade. 1 é uma unidade de medida, mas está errado. Todo o sistema social está construído em conceitos similares à certeza de que 1 + 1 = 2. Mas 1 + 1 nunca é igual a 2. De facto não há números ou letras. Codificamos a nossa existência para fazê-la do tamanho humano, para torná-la compreensível. Criamos escalas para esquecer das escalas sem limites.

- Mas se os seres humanos não são a unidade de medida e o mundo não está sujeito às leis matemáticas, o que governa tudo isto?

- Imagine carros numa estrada e acelere a imagem infinitamente… os carros desaparecem. Então o que prova a sua existência? O tempo é a razão da sua própria existência. O tempo é a única verdade. A medida final. Ele atribui a sua existência à matéria. Sem tempo nós não existíamos.


in Lucy, um filme de Luc Besson